A EVOLUÇÃO DO PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

A UTIL acredita que a tecnologia traz organização e eficiência à saúde. Movida pela inovação.


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Ainda aguardamos o tal engajamento do paciente

O envolvimento do paciente em seu cuidado médico é uma das principais metas do profissional de saúde porque há a crença de que isso leva a um melhor resultado no tratamento.  O chamado “empoderamento do paciente” é um termo usado com frequência no passado recente, mas pouco é dito sobre como podemos tentar empoderar o paciente de fato.

A NEJM Catalyst promoveu uma pesquisa envolvendo 340 hospitais, executivos da saúde, líderes de clínicas e médicos.  Nela, foi constatado que mesmo que 25% dos entrevistados tenham demonstrado estar altamente engajados nas decisões de cuidados, apenas 9% estavam no nível máximo de envolvimento no que diz respeito aos procedimentos adotados no cuidado clínico.

O estudo aponta para uma série de correlações entre as características de um paciente e o nível de engajamento do mesmo.  Uma das mais claras é a correlação entre os dois quando o fator de influência é a idade do paciente, conforme (gráfico em inglês):

blog pic38.2

A internet já oferece algumas ferramentas que ajudam o tão almejado engajamento, ex.: portais de perguntas e respostas sobre a saúde, busca por profissionais e agendamento online de consultas, entre outros.  Porém, o setor é unânime quando diz que os prestadores podem trabalhar para oferecer uma comunicação bem mais ampla a partir desses recursos.

A maioria dos entrevistados acredita que a melhor solução para esse problema é ter médicos, enfermeiros ou outras partes do staff que possam passar mais tempo com os pacientes.  Outros mecanismos de comunicação como e-mails e sistemas de mensageria também podem contribuir para a melhoria na comunicação entre médicos e pacientes.

De uma forma geral, aínda há diversos desafios a serem vencidos para alcançarmos o almejado engajamento (gráfico em inglês):

blog pic38.1

Fica claro que a tecnologia tem (e continuará a ter) um papel central na promoção de um envolvimento maior do paciente no seu cuidado, principalmente na tentativa de resolução de um enorme gargalo: a ausência de sistemas que incentivem o paciente a engajar.  A relação entre o setor, pacientes e desafios podem ser analisados em mais detalhe no estudo da NEJM nesse link.


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Me dê um app que eu te darei o meu prontuário

Opinião UTIL

Nuno Morgado | Sócio na UTIL Healthcare

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Todos os anos, milhões de brasileiros fazem suas declarações de imposto de renda na internet através do serviço provido pela Receita Federal.  Encaminhamos informações sensíveis pela internet porque confiamos na tecnologia adotada.  Outro exemplo que demonstra a capacidade da internet de ser um ambiente seguro para a troca de informações sensíveis é o uso massivo de serviços bancários (“online banking”).

Agora imagine que você, paciente, necessite encaminhar o seu histórico de saúde para um médico que não seja o seu atual (por escolha própria ou por indicação do seu médico, por exemplo); ou, para uma clínica ou hospital.  Você provavelmente precisará preencher formulários, ou no mínimo encaminhar informações sensíveis via correio, fax, ou até mesmo gastar com entrega via motoqueiro (isso se o seu destinatário estiver na mesma cidade, é claro).  Alguns dias ou semanas depois, quem sabe, o seu prontuário estará acessível.  E os exames de imagens, o que fazer com eles?  Você se lembra da sua senha de login do portal do laboratório?  Qual laboratório mesmo?

Na primeira visita ao novo médico, com sorte os seus dados já terão sido inseridos em um prontuário eletrônico, mas com enormes chances dele não “conversar” com o prontuário eletrônico do seu médico original.  Com mais sorte ainda, todos seus dados estarão corretos (mas estou disposto a apostar que haverá erros).

Quais as razões por trás dessa discrepância de uso da tecnologia se a mesma já está disponível?  Porque conseguimos efetuar transações bancárias complexas através de um celular, mas não conseguimos compartilhar, com facilidade, nosso prontuário eletrônico através de uma plataforma uniforme que faça sentido para ambos médicos e pacientes?

Muito já foi dito sobre a incapacidade técnica (ou, em alguns casos, mera falta de vontade) de hospitais e médicos em compartilhar a informação eletrônica do prontuário do paciente.  As razões alegadas já são conhecidas: ausência de interoperabilidade entre sistemas existentes, fraca regulamentação da comunicação de dados no setor, segurança, privacidade, confidencialidade, entre outras.

Feliz, porém lentamente, há uma evolução perceptível.  Com o envolvimento direto do paciente, o compartilhamento fácil e seguro torna-se uma realidade.  Além de realidade, é uma necessidade: para que haja cumprimento à legislação vigente da SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde), o paciente precisa autorizar o compartilhamento de seus dados clínicos a terceiros.  A vantagem: o paciente é quem controla seu prontuário, e autoriza o acesso a ele a quem quiser de forma pontual.  Porém, há também uma desvantagem: ter que liberar o acesso a cada vez que ele é requisitado, seja pelo seu médico principal, um especialista, ou até mesmo um hospital.  No final das contas, queremos sossego e esperamos que a tecnologia simplifique o nosso cotidiano, e não que o faça mais complexo.  Fica claro que o sistema de sucesso será aquele que simultaneamente cumprirá os requisitos da lei, dará autonomia ao paciente, e nutrirá o médico com informações relevantes para a sua prática.

A importância das APIs (Application Programming Interface) vêm à tona então.  As APIs permitem que dados sejam compartilhados para propósitos específicos, e não necessitam que sistemas “falem” a mesma língua de forma nativa.  Já existem soluções no mercado que permitem o armazenamento e acesso seguro do prontuário eletrônico do paciente, porém, nenhuma é adotada de forma massificada e convincente.  Mais importante é o fato de que não há nenhuma solução no mercado brasileiro que permita esse compartilhamento fácil e desburocratizado.  Há uma lacuna a ser preenchida.

Veja o post original no LinkedIn aqui.

E veja o artigo (em inglês) relacionado aqui.


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Será a inovação a principal missão de uma start-up?

Em mercados mais desenvolvidos como o dos Estados Unidos, ou em países da Europa ocidental, a “febre” das start-ups na saúde já é um fenômeno existente há alguns anos.  No Brasil, começa-se a ver a consolidação da mesma tendência.  Mas qual é o real propósito de uma start-up na saúde?

A agilidade para reagir às necessidades do setor e a possibilidade de ter na inovação a principal força motivacional são características marcantes de uma start-up.  No caso da saúde em particular, a gestão de processos institucionais, a comunicação entre profissionais e a relação médico-paciente estão entre as prioridades dessas empresas embrionárias.

E empresas embrionárias são, normalmente, compostas de jovens empreendedores, cujo raciocínio já é “nativamente digital”.  Por serem os agentes dessa transição, as dificuldades na implementação de suas idéias é um exercício que trilha um caminho sinuoso.  O que observamos cada vez mais é o interesse de instituições tradicionais já estabelecidas no que as start-ups desenvolvem.  Seja por interesse genuíno ou meramente financeiro, a troca de experiências entre os dois tipos de players no ramo traz benefícios à sociedade.

Conforme a Syte, instituto de pesquisa para o desenvolvimento de novas frentes de tecnologia na medicina.  Há uma forte expansão no escopo dos nichos que despertam interesse para o investimento nas start-ups em saúde.  Em 2015 os investimentos de risco em saúde digital atingiram US$ 4,5 bilhões e cerca de 265 eHealth start-ups levantaram mais de US$ 2 milhões cada nos EUA.

Veja quais são as top 6 áreas que atrairam investimentos no setor em 2015, também conforme a Syte:

  • Engajamento do consumidor – US$ 629 mil
  • Wearables e biosensores – US$ 499 mil
  • Saúde personalizada – US$ 400 mil
  • Ferramentas para as fontes pagadoras – US$ 263 mil
  • Troca de informações – US$ 236 mil
  • Cuidado coordenado – US$ 208 mil

Além dos investimentos, também há diversos desafios do setor no que diz respeito ao Brasil em particular, conforme:

  • Dificuldade na obtenção de profissionais qualificados em TI para a saúde;
  • Baixa interoperabilidade entre os sistemas já existentes;
  • Ambiguidade na regulamentação do universo digital crescente;
  • Infraestrutura ruim para acesso à internet no Brasil;
  • Treinamentos de conscientização para vencer as resistências de médicos e pacientes

Veja o artigo relacionado aqui.


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Cleveland Clinic, uma referência global

Há muito tempo que o mundo da medicina conhece e respeita as opiniões da Cleveland Clinic (“CC”), instituição americana de renome que é referência na literatura e na prática médica.  A instituição tem priorizado investimentos em TI como forma de promover a melhoria no cuidado, e de liberar o profissional de saúde das tarefas repetitivas e burocráticas que o impossibilita de dedicar mais atenção ao paciente.

A clínica tem como objetivo não só aumentar a qualidade dos cuidados fornececidos, mas também fazê-lo de forma mais acessível  e econômica.  Muitas vezes esses objetivos são vistos de forma antagônica, mas o uso inteligente da tecnologia pode de fato ser um forte aliado nessa missão.  A análise de grandes quantidades de dados, bem como a melhoria na comunicação entre o corpo clínico e pacientes, são peças-chave desse mecanismo que busca promover a melhoria do cuidado.

Na segunda edição da HIMSS (Healthcare Information and Management Systems Society) Latin America (4-6 novembro), o diretor de informática na Cleveland Clinic (EUA), Martins Harris, pretende falar sobre duas grandes iniciativas da Cleveland Clinic no que diz respeito à investimento em TI:

  • Para provedores de saúde:  Harris acredita no monitoramente abrangente, através do poder computacional, para alertar médicos à necessidade de cuidados imediatos.  Isso diminuiria o tempo necessário para importantes intervenções médicas, aumentaria a probabilidade de uma rápida recuperação por parte do paciente, e promoveria o uso de terapias menos intensivas (e mais baratas) na recuperação.
  • Para os cuidadores da CC:  A criação de um aplicativo que permite o registro médico de qualquer local pelos médicos da Clínica sem a necessidade de conexão a um computador também foi priorizada..  Essa solução se parece bastante com outras já usadas no mercado (algo como um prontuário eletrônico online), porém, nesse caso é de uso exclusivo dos cuidadores da CC.

Veja o artigo relacionado aqui.


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Incubadoras e aceleradoras focam em e-Health

As empresas start-ups no ramo da saúde estão em alta: somente no primeiro trimestre de 2015, levantaram o montante recorde de US$3.9 bilhões para financiar as suas operações.  A contribuição do fator mobilidade também é bastante relevante: US$4.6 bilhões de acréscimo estimado ao PIB americano até 2017, conforme a PwC.

Fatores como a baixa qualidade dos serviços de tecnologia hoje oferecidos e o atraso na adoção da tecnologia no cotidiano médico contribuem para essa boa expectativa de demanda no ramo à curto e médio prazo.

No último post desse Blog, falamos sobre as diferenças entre empreender e inovar.  Justamente um dos pontos que atrasa a adoção da tecnologia na saúde é ao receio dos profissionais do ramo de empreender.  Há uma noção que o médico empreendedor pode não estar dedicando a maioria do seu tempo para a sua principal função, que (em tese) deveria ser o foco.  Consequentemente, diversos profissionais são tomados por esse receio de serem julgados de forma negativa, e optam por não fazê-lo (explicitamente, pelo menos).  Outros fatores como a mera falta de tempo e a ausência de um mecanismo de suporte especificamente para médicos empreendedores (ex.: uma aceleradora focada em saúde) também contribuem para esse cenário.

O ramo de e-Health / m-Health aínda tem muito para crescer no Brasil.  Além de estarmos (como economia) muito atrás dos EUA, a falta de dinamismo dos órgãos que deveriam nortear os médicos nesse sentido prejudicam o desenvolvimento do mercado.  Cabe, cada vez mais, aos empreendedores em si investirem em soluções inovadoras com o intuíto de virar esse jogo.

Veja o post relacionado aqui.


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O poder da palavra

Uma das principais barreiras de adoção de uma solução de prontuário eletrônico é a incapacidade da solução adaptar-se à rotina diária do profissional de saúde.  E isso de fato precisa acontecer, porque a experiência de soluções anteriores mostra que o profissional raramente se adaptará à solução.

Visando facilitar essa adaptação, um dos maiores players no mercado americano, a Epic, introduziu uma função inédita no seu prontuário eletrônico: o input de informação via voz.  Isso inclui desde a simples gravação de idéias e comentários até o reconhecimento de comandos específicos através de um software de terceiros integrado à plataforma.  É a revolução tecnológica a serviço da eficiência na rotina do profissional de saúde.

Essa nova funcionalidade não é novidade; já é conhecida pelo end-consumer em exemplos como o Google Talk, Google Now ou a Siri (assistente pessoal da Apple), e estará também disponível na nova versão do sistema operacional mais popular do mundo, o Windows (“10”).  Porém, é a primeira vez que a tecnologia é usada na saúde.

Fica claro que a principal necessidade que a solução resolve é a do médico inserir dados do prontuário eletrônico em tempo real, e de forma dinâmica, enquanto está à frente do paciente.  A ida e vinda a um desktop localizado em outro local torna-se inviável, e seria uma enorme barreira de adoção.  Enquanto o uso da tecnologia de voz é empolgante, ela não parece ser determinante.  O input de dados feito via aparelhos celulares e tablets, ligados à internet, também atende à necessidades de dinamismo e urgência, tão importantes no mercado da saúde.

Veja o artigo original (em inglês) aqui.


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Mercado de soluções de prontuário eletrônico permanece forte

O mercado de serviços de prontuário eletrônico está a todo vapor nos EUA: atingirá $35 bi até 2019. A competitividade está em alta, mas a consolidação de players é inevitável. A chave é, como sempre, oferecer uma plataforma que realmente agregue valor ao usuário.

Três pontos importantes que players no mercado devem priorizar para buscar o sucesso são: (1) mobilidade; (2) uso de soluções em nuvem; (3) interoperabilidade. O papel da interoperabilidade é substancial, mas investimentos necessários na área às vezes desestimulam a adoção de padrões de comunicação intersistemas.

O fator segurança da informação também tem um papel importante na avaliação de soluções de prontuário eletrônico. O Core atende a todas essas tendências, e estamos muito ansiosos para mostrar a solução ao mercado.

Veja o artigo original (em inglês) aqui.