A EVOLUÇÃO DO PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

A UTIL acredita que a tecnologia traz organização e eficiência à saúde. Movida pela inovação.


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Startups em saúde no Brasil: um panorama

O surgimento em larga escala de empresas embrionárias (“startups“) já não é surpresa no mercado americano, e a tendência começa a se firmar também no Brasil de 2 anos para cá.  Fatores como a crise econômica, seu reflexo no mercado de trabalho e a insatisfação com o modelo padrão de desenvolvimento profissional através de grandes corporações ajudam a consolidação da tendência.

O crescimento do ramo da saúde digital não é somente um reflexo dessa mudança; o ramo é um dos líderes tanto no crescimento em número de startups como também em investimentos feitos nas mesmas.  Ainda há um alto índice de mortalidade das startups, mas isso nem sempre significa a liquidação da empresa.  Cada vez mais, há empresas que “ressuscitam” com novos produtos e novas ofertas de valor.

Alguns fatos que ditam as tendências do mercado têm impacto direto na direção do crescimento dessas startups em mHealth, conforme:

  1. O fator não-cíclico: a saúde raramente é afetada diretamente pelos ciclos econômicos que, por sua vez, têm forte impacto em outros setores como a indústria, por exemplo.  Essa característica sustenta o investimento continuado;
  2. 67% dos gastos em saúde estão nos hospitais (fonte: Banco Mundial).  Ou seja, há uma tendência para que as startups do ramo ofereçam, de forma direta ou indireta, algum tipo de serviço ao setor hospitalar (nem que seja somente através dos médicos que atendem em hospitais, e não aos hospitais de forma direta);
  3. O aumento constante e certo dos custos na saúde (16,2% só esse ano; fonte: Valor Economico);
  4. A importância do papel do empregador na saúde (63% do mercado é composto por planos de saúde corporativos).

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A pressão por reduzir custos nas operadoras de saúde também precisa ser discutida.  Quando os custos em clínicas e hospitais aumentam (e a longo prazo isso sempre acontece, como já falamos aqui no Blog), o lucro das operadoras é achatado (ceteris paribus).  Por sua vez, isso é normalmente repassado para o cliente.  Para evitar o prolongamento desse ciclo, novas tecnologias normalmente são a solução para aliviar essa pressão sobre custos.

Abaixo nós vemos algumas características das startups em saúde no Brasil (Fonte: Ignite Healthcare / Berrini Ventures):

EQUIPES

Até 3 pessoas – 38% das equipes são formadas por até 3 pessoas;
Grandes equipes – 4% das equipes são formadas por mais de 15 fundadores;
Área da saúde – 55% apresentam no mínimo 1 profissional da área de saúde;
Médico empreendedor – Apenas 4  empresas formadas por médicos ou profissionais da saúde.

DESAFIOS

Capital – 27% das startups buscam capitalizar sua empresa;
Medicine Mindset – 27% das startups buscam compreender melhor a área da saúde;
Comercial – 16% dizem que a tração comercial é seu maior desafio;
Burocracia – 5% listam a burocracia brasileira como maior desafio.

FATURAMENTO

Faturamento 0  – 30% das startups não faturam;
Até 100 mil – 25% das empresas estão abaixo da barreira dos 100 mil;
Acima de 1 milhão – apenas 6% das startups apresentam um faturamento acima de 1 milhão.

O mercado está aquecido, e há muitas necessidades não-atendidas que precisam de atenção.  Uma startup consegue, naturalmente, reagir com mais rapidez a essas necessidades; e mesmo que o faça sem a mesma força e presença de uma multinacional, a tendência de crescimento da importância das startups é inegável.

Veja o artigo relacionado aqui.


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Como que apps podem promover a interação entre médicos e pacientes?

A disseminação da tecnologia na saúde está, aos poucos, a possibilitar a inclusão do próprio paciente como peça-chave no centro do cuidado continuado.  No passado, a responsabilidade pela provisão da saúde era dos médicos, e aos poucos as próprias operadoras começaram a ter um papel central nesse quesito.  É nesse assunto que foca o white paper produzido pelo IMS Institute for Health Informatics.

A opinião do blog é que não basta ofertar uma solução que seja aceite pelo paciente; essa solução precisa agradar a todos os envolvidos no processo de cuidado continuado, tendo os próprios médicos e outros profissionais de saúde como peça importante nesse quebra-cabeças.  Um sistema agradável a somente um dos agentes envolvidos no ecossistema do cuidado continuado nunca será o ideal.

O estudo da IMS divide os apps desenvolvidos em 6 principais grupos, conforme o gráfico abaixo:

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Vemos que, na sua maioria, os apps são meramente informativos – ou seja – se limitam a fornecer informações em diferentes formatos ao usuário.  A procupação com esse limitante modelo é excerbada quando olhamos para como que o papel da multi-funcionalidade entra na equação, ex.: menos da metade dos apps considerados informativos também têm o papel de instruir.  A consequência disso é que o usuário raramente terá a percepção de algum tipo de valor agregado na solução.  Consequente e provavelmente, ela cairá na vala das dezenas de soluções de prontuário eletrônico que pouco fazem pela inovação do cuidado continuado.

Nesse mercado, normalmente “mais é mais”.  Apps e plataformas desenvolvidas rapidamente unicamente com o intuíto de cativarem algum market-share, e sem o insight íntimo das reais necessidades dos agentes envolvidos, são as mesmas que tornam-se irrelevantes rapidamente.  Os players de importância oferecem a mais variada gama de soluções, mas todas têm um elemento em comum: entendem bem pelo menos um participantes no ecossistema do cuidado continuado, e atendem a esse segmento de forma eficaz.

Fica claro que a convergência entre as soluções anteriormente segmentadas por tipo de agente desse mesmo ecossistema, se oferecidas em uma única plataforma relevante para todos os envolvidos, pode ser a solução ideal a ser oferecida.

Veja o post relacionado aqui.


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A teoria econômica, a tecnologia, e o prontuário eletrônico

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Opinião UTIL

Nuno Morgado | Sócio na UTIL Healthcare


A teoria econômica sugere que o uso da tecnologia em qualquer processo, seja esse de uma indústria de manufatura ou de provisão de serviços, é a única forma de aumentar a produtividade real do mesmo a longo prazo.  O uso incremental de outros recursos pode trazer benefícios a curto prazo, mas essa estratégia (normalmente) tem ganhos sucessivamente menores (Lei dos Rendimentos Decrescentes).

O curva da PPF (Production Possibility Frontier) acima é relevante nesse contexto.  Se presumirmos o pleno e eficiente uso dos recursos disponíveis, as combinações de produção e/ou provisão são ilustradas no gráfico ao longo da curva na cor laranja (na forma dos pontos A, B ou C).  Porém, se quisermos atingir um novo patamar (ex.: ponto Y), forçosamente precisamos de maior produtividade, e é exatamente aqui que o uso inteligente da tecnologia é importante.

O setor da saúde é um exemplo prático para exemplificar as teorias propostas. Um gestor de uma unidade pode, a curto prazo, se beneficiar por contratar mais enfermeiros, por exemplo.  Porém, a longo prazo, seu benefício marginal certamente cairá se a produtividade (simplesmente definido como resultado por pessoa por unidade tempo) não for priorizada.  Fica claro aqui o importante papel do uso do prontuário eletrônico e seus desdobramentos para propiciar exatamente esse aumento de produtividade.

Do estudo referente ao uso da tecnologia de prontuários eletrônicos que contemplou aproximadamente 2.000 estabelecimentos no ramo (TIC Saúde 2014), algumas conclusões podem ser traçadas.  O estudo coletou informações de aprox. 2.000 estabelecimentos de saúde que declararam ter utilizado a internet nos últimos 12 meses em relação ao momento da entrevista.

O estudo revelou, entre outros, que:

  • 25% do setor privado usa soluções unicamente em papel, versus 69% no setor público;
  • Aproximadamente um terço (~35%) do setor privado alega usar somente o modelo eletrônico de prontuário do paciente;
  • 75% do setor privado usa algum tipo de prontuário eletrônico.

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Apesar das estatísticas acima apontarem para uma saudável penetração de uso de algum tipo de sistema eletrônico para a gerência das informações dos pacientes, temos que ter cautela para não as considerarmos como verdades absolutas.

Basta falar com alguns médicos e profissionais do ramo para constatar a predominância da insatisfação com sistemas que não atendem às necessidades reais; e ausência de algo que realmente se insira na rotina desses profissionais.

Se olharmos um pouco mais o detalhe da pesquisa, concluímos que aínda existe muito a fazer na implementação digital do prontuário eletrônico.  Vejamos dois exemplos:

  • Apesar de 73% dados cadastrais estaram disponíveis eletronicamente, esse tipo de informação por si só agrega pouco valor ao médico (e até mesmo ao paciente);
  • Informações muito mais relevantes como alergias (31%), anotações da enfermagem (27%) e sinais vitais (25%) têm níveis de disponibilidade eletrônica bem mais baixos.

A conclusão é que aínda temos um longo caminho a trilhar antes de considerarmos que o nosso mercado está “digitalizado” na questão do prontuário eletrônico.  As estatísticas da referida pesquisa são somente isso – estatísticas – e o fato é que elas são interpretativas e não revelam a realidade do cotidiano da saúde no país.  Existe uma lacuna fundamental aínda a ser preenchida: a de agregar valor à rotina do médico de forma inteligente e concisa através da interpretação da multiplicidade dos dados coletados.  O modelo atual do prontuário eletrônico no Brasil simplesmente não faz isso.

Veja o post original (no LinkedIn) aqui.

E veja o post relacionado (e o infográfico original na sua totalidade) aqui.


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Entre o médico e o paciente

“Eu preciso ficar perto do paciente e não de um computador”.

É o que boa parte dos médicos e outros profissionais da saúde dizem quando expostos a um sistema de registro eletrônico em Saúde (RES). Afinal, se o foco é o paciente, por que passam boa parte de seu tempo diante de uma tela de computador? Na essência, a pergunta tem sentido. Mas, na prática, é o que realmente acontece: os médicos passam mais tempo perto do computador do que dos pacientes?

Um estudo norte-americano recém publicado em importante revista especializada¹ parece esclarecer, pelo menos em parte, esta questão. Os pesquisadores analisaram  o trabalho de médicos residentes e de médicos assistentes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de um hospital terciário antes e depois da implantação de um RES. O estudo transcorreu entre 2006 e 2008.

De fato, os médicos, sobretudo os residentes, gastaram quase o dobro do tempo para revisar e anotar dados clínicos no computador, enquanto os assistentes gastaram mais tempo para gerenciamento de ordens. Contudo, tanto o tempo de registro de dados administrativos e burocráticos quanto o usado para buscar informações foram reduzidos substancialmente, uma vez que as informações tornaram-se legíveis, estruturadas e de fácil acesso (em um único local). E o mais importante: o uso do RES não afetou o tempo dedicado aos pacientes, aos familiares e às equipes multiprofissionais.

O estudo conclui que, ainda que tenha exigido maior atenção por parte da equipe médica, o RES  aumentou a eficiência da equipe sem distanciá-la do paciente.

Fica a pergunta: se bons resultados como estes foram alcançados com uma tecnologia distante quase uma década de nós, o que não poderia fazer um sistema desenhado nos dias de hoje, dedicado às necessidades clínicas e que auxilie na tomada de decisão?

E fica a certeza: a tecnologia, irremediavelmente, posicionou-se entre o médico e o paciente. Seu único fim: ajudar.

¹ Carayon P, Wetterneck TB, et al. Impact of electronic health record technology on the work and workflow of physicians in the intensive care unit. Int J Med Inform. 2015 Aug; 84(8):578-94.


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Qual é o papel do WhatsApp na comunicação no ramo da saúde?

Quando os dois ticks mudam de cor para o azul, obtem-se a confirmação de que a mensagem foi lida.  A natureza humana nos leva a acreditar que a maioria dos usuários espera uma resposta a curtíssimo prazo; qualquer demora pode levar à frustração e a outros sentimentos de dúvida.

Para qualquer usuário do WhatsApp, o sistema de mensageria mais popular do mundo, a identificação com a passagem acima é imediata.  Mas como que devemos lidar com o uso do WhatsApp no âmbito profissional da saúde?  Não haverá outro método menos invasivo (porém tão eficaz quanto) a ser considerado?

Doctor with smartphone

Do ponto de vista de agilidade de comunicação, o sistema de mensageria atende à necessidade com maestria.  Porém, se pensarmos na segurança da informação, o WhatsApp está longe de ser uma solução aceitável: não sabemos a robustez do “caminho” pelo qual a informação é transmitida.  Esse ponto levanta questões de segurança tanto em casos de comunicação inter-médicos, como entre médicos e pacientes.

A informalidade sob a qual essa comunicação ocorre não está sujeita a nenhum padrão nacional (ou internacional) de regulamentação de segurança da informação na saúde.  E se tivermos uma situação onde uma imagem de um exame de natureza sensível é exposta a recipientes mal-intencionados?  Como responsabilizar o WhatsApp?  Como saber qual é a exposição efetiva?  São perguntas sem respostas.  E aínda temos o fator erro-humano: quem nunca enviou uma mensagem para alguém na vasta lista de contatos por engano?  Se o conteúdo em questão for uma mera mensagem informal, em tese não haverá problema; mas, e se o conteúdo for, por exemplo, o resultado de um exame laboratorial de um paciente?  De novo, a exposição pode ser alarmante.

O armazenamento e compartilhamento de prontuários online de pacientes são sujeitos às regras da SBIS (Sociedade Brasileira de Informática na Saúde) no país.  O Core, a plataforma da UTIL Healthcare atualmente em fase avançada de desenvolvimento, conta com uma estrutura formal de comunicação e mensageria, e atende aos requisitos NGS1 (Nível Geral de Segurança) da SBIS.  A confidencialidade e segurança são levados muito a sério pelos desenvolvedores da solução.

Clique aqui para se beneficiar de um desconto especial na contratação do Core, que será lançada em breve.

E veja o post relacionado aqui.


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Incubadoras e aceleradoras focam em e-Health

As empresas start-ups no ramo da saúde estão em alta: somente no primeiro trimestre de 2015, levantaram o montante recorde de US$3.9 bilhões para financiar as suas operações.  A contribuição do fator mobilidade também é bastante relevante: US$4.6 bilhões de acréscimo estimado ao PIB americano até 2017, conforme a PwC.

Fatores como a baixa qualidade dos serviços de tecnologia hoje oferecidos e o atraso na adoção da tecnologia no cotidiano médico contribuem para essa boa expectativa de demanda no ramo à curto e médio prazo.

No último post desse Blog, falamos sobre as diferenças entre empreender e inovar.  Justamente um dos pontos que atrasa a adoção da tecnologia na saúde é ao receio dos profissionais do ramo de empreender.  Há uma noção que o médico empreendedor pode não estar dedicando a maioria do seu tempo para a sua principal função, que (em tese) deveria ser o foco.  Consequentemente, diversos profissionais são tomados por esse receio de serem julgados de forma negativa, e optam por não fazê-lo (explicitamente, pelo menos).  Outros fatores como a mera falta de tempo e a ausência de um mecanismo de suporte especificamente para médicos empreendedores (ex.: uma aceleradora focada em saúde) também contribuem para esse cenário.

O ramo de e-Health / m-Health aínda tem muito para crescer no Brasil.  Além de estarmos (como economia) muito atrás dos EUA, a falta de dinamismo dos órgãos que deveriam nortear os médicos nesse sentido prejudicam o desenvolvimento do mercado.  Cabe, cada vez mais, aos empreendedores em si investirem em soluções inovadoras com o intuíto de virar esse jogo.

Veja o post relacionado aqui.


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Empreender não significa, necessariamente, inovar.

O empreendedorismo está em alta no Brasil.  Uma recente pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (em parceria com a Sebrae e Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Brasil) conclui que nada menos de 34,5% dos brasileiros ativos no mercado de trabalho têm o seu próprio negócio.  O número é significativo e apresenta um aumento quando comparado com a taxa de 23% reportada em 2004.  A taxa é alta, mesmo quando comparada com o índice em outros países como a China e os EUA (~16,5 e 19,5%, respectivamente).

Porém, empreender não significa, necessariamente, inovar.  Uma grande parcela dos empreendimentos no país não traz nada de novo ou inovador, e se resume a modelos de negócios já conhecidos e estabelecidos no contexto da economia.  Há alguns fatores que contribuem para essa falta de inovação, entre eles: a falta de preparo do empreendedor, o medo de assumir risco, o despreparo total do governo em promover a inovação, etc.  A ausência de recursos públicos para a promoção de inovação também traz prejuízo na forma da consequência mais preocupante: nem mesmo as grandes empresas multinacionais (e já estabelecidas no país há muito tempo) investem a proporção ideal de seu faturamento em Pesquisa e Desenvolvimento.

Eis o panorama atual de P&D entre grandes empresas no Brasil:

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A Harvard Business Review elenca 3 fatores que são determinantes para explicar o baixo investimento em P&D no país:

  • gestão com base no curto prazo;
  • falta de mão de obra qualificada;
  • falta de incentivos para aumentar as pesquisas em quantidade e em qualidade.

O brasileiro empreendedor, por si só, já deve ser considerado um herói.  No Brasil, pouco se faz para promover o sucesso do empreendedorismo; na verdade, muito se faz (e se cobra) para garantir exatamente o oposto: a dificuldade de montar e gerenciar o próprio negócio.  Aínda temos um longo caminho a percorrer nesse sentido

Por outro lado, os que resistirem à burocracia e aos desafios inerentes ao empreendedorismo no Brasil conseguirão se posicionar de forma diferenciada no mercado e assim oferecer um maior valor agregado ao consumidor final.  Isso torna-se muito importante em setores onde o impacto da inovação pode ser disruptivo a ponto de trazer uma nova forma de trabalhar, se comunicar, entre outros.

O mercado de software para a saúde certamente é um destes setores.  Apesar de existirem inúmeros programas que (supostamente) atendem às necessidades de médicos e de outros profissionais, poucos se destacam pela inovação, e o que se vê na maioria dos casos é “mais do mesmo”.  Aínda há bastante espaço para a inovação no setor visando melhorar a comunicação e a produtividade, tendo como o objetivo final a melhoria da qualidade do cuidado ao paciente.

Veja o artigo original aqui.