A EVOLUÇÃO DO PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

A UTIL acredita que a tecnologia traz organização e eficiência à saúde. Movida pela inovação.


Deixe um comentário

O que podemos esperar da Saúde em 2016?

O opinião de especialistas é que 2016 será um ano promissor para o setor da saúde, mesmo com a crise macroeconômica que assola o país há meses.  O aumento gradual do consumismo, pressão pela redução de custos, impacto de novos participantes, inovação tecnológica e a sempre existente pressão pela redução de custos são todos fatores que terão uma contribuição real para as tendências que deverão ser observadas em 2016.

O PwC Health Research Institute (HRI), do final do ano passado, lista estas tendências, conforme abaixo.  O link da PwC contém alguns infográficos (em inglês) interessantes para o melhor entendimento na matéria.

As tendências:

1. Fusões e aquisições

Uma tendência global, e não só no setor da saúde.  Resta entender a força do papel de reguladores nesse processo para que o interesse do consumidor final seja a prioridade.

2. Redução nos preços

O grande aumento nos preços da maioria dos medicamentos em 2015 deve levar a indústria farmacêutica global a ter mais cuidado com suas estratégias de precificação em 2016.

3. Mobilidade

Seguindo as tendências de outros setores, podemos esperar um foco maior em soluções que ofereçam a mobilidade ao usuário – ou seja – soluções conectadas a smartphones e tablets, valorizando o tempo dos pacientes.

4. Segurança

Padrões globais de segurança devem ficar mais rígidos e comuns.  Assuntos como criptografia de dados sensíveis terão destaque.

5. Novos “donos” do cofre

O aumento das franquias nos processos de compra de serviços de saúde (ou de reembolso via uma operadora, por exemplo) farão que consumidores busquem alternativas criativas para gerenciar suas carteiras.

6. Importância da saúde comportamental

Redução de custos, aumento de produtividade e manutenção de uma boa saúde são os principais fatores que colocarão a saúde comportamental em foco em 2016.

7. Cuidado à comunidade

A tendência é que o consumidor seja mais atento ao valor real de seu cuidado médico, e não só ao preço em si.  Por isso, sistemas de saúde devem buscar métodos criativos para tentarem obter reduções de custo.

8. Novas bases de dados

A integração de bancos de dados e a facilidade de análise dos mesmos através da computação (incl. big data) sugere que insights cada vez melhores serão a norma.

9. Biossimilares

Considerados como substitutos de medicamentos biológicos de marca, biossimilares devem entrar em foco em 2016 também em função ao grande aumento nos preços dos medicamentos em 2015.  Porém, há muito o que dizer em relação a real eficácia de biossimilares, que têm uma proposta totalmente diferente em relação ao que genéricos visam oferecer (o mesmo princípio ativo do medicamento de marca).

10. Custo médico

A eficiência de processos será chave na tentativa de minimizar o custo médico ao paciente.

Que venha 2016!

Veja o post relacionado aqui.

 

 

 


Deixe um comentário

Cleveland Clinic, uma referência global

Há muito tempo que o mundo da medicina conhece e respeita as opiniões da Cleveland Clinic (“CC”), instituição americana de renome que é referência na literatura e na prática médica.  A instituição tem priorizado investimentos em TI como forma de promover a melhoria no cuidado, e de liberar o profissional de saúde das tarefas repetitivas e burocráticas que o impossibilita de dedicar mais atenção ao paciente.

A clínica tem como objetivo não só aumentar a qualidade dos cuidados fornececidos, mas também fazê-lo de forma mais acessível  e econômica.  Muitas vezes esses objetivos são vistos de forma antagônica, mas o uso inteligente da tecnologia pode de fato ser um forte aliado nessa missão.  A análise de grandes quantidades de dados, bem como a melhoria na comunicação entre o corpo clínico e pacientes, são peças-chave desse mecanismo que busca promover a melhoria do cuidado.

Na segunda edição da HIMSS (Healthcare Information and Management Systems Society) Latin America (4-6 novembro), o diretor de informática na Cleveland Clinic (EUA), Martins Harris, pretende falar sobre duas grandes iniciativas da Cleveland Clinic no que diz respeito à investimento em TI:

  • Para provedores de saúde:  Harris acredita no monitoramente abrangente, através do poder computacional, para alertar médicos à necessidade de cuidados imediatos.  Isso diminuiria o tempo necessário para importantes intervenções médicas, aumentaria a probabilidade de uma rápida recuperação por parte do paciente, e promoveria o uso de terapias menos intensivas (e mais baratas) na recuperação.
  • Para os cuidadores da CC:  A criação de um aplicativo que permite o registro médico de qualquer local pelos médicos da Clínica sem a necessidade de conexão a um computador também foi priorizada..  Essa solução se parece bastante com outras já usadas no mercado (algo como um prontuário eletrônico online), porém, nesse caso é de uso exclusivo dos cuidadores da CC.

Veja o artigo relacionado aqui.


Deixe um comentário

A teoria econômica, a tecnologia, e o prontuário eletrônico

blog pic28.4

Opinião UTIL

Nuno Morgado | Sócio na UTIL Healthcare


A teoria econômica sugere que o uso da tecnologia em qualquer processo, seja esse de uma indústria de manufatura ou de provisão de serviços, é a única forma de aumentar a produtividade real do mesmo a longo prazo.  O uso incremental de outros recursos pode trazer benefícios a curto prazo, mas essa estratégia (normalmente) tem ganhos sucessivamente menores (Lei dos Rendimentos Decrescentes).

O curva da PPF (Production Possibility Frontier) acima é relevante nesse contexto.  Se presumirmos o pleno e eficiente uso dos recursos disponíveis, as combinações de produção e/ou provisão são ilustradas no gráfico ao longo da curva na cor laranja (na forma dos pontos A, B ou C).  Porém, se quisermos atingir um novo patamar (ex.: ponto Y), forçosamente precisamos de maior produtividade, e é exatamente aqui que o uso inteligente da tecnologia é importante.

O setor da saúde é um exemplo prático para exemplificar as teorias propostas. Um gestor de uma unidade pode, a curto prazo, se beneficiar por contratar mais enfermeiros, por exemplo.  Porém, a longo prazo, seu benefício marginal certamente cairá se a produtividade (simplesmente definido como resultado por pessoa por unidade tempo) não for priorizada.  Fica claro aqui o importante papel do uso do prontuário eletrônico e seus desdobramentos para propiciar exatamente esse aumento de produtividade.

Do estudo referente ao uso da tecnologia de prontuários eletrônicos que contemplou aproximadamente 2.000 estabelecimentos no ramo (TIC Saúde 2014), algumas conclusões podem ser traçadas.  O estudo coletou informações de aprox. 2.000 estabelecimentos de saúde que declararam ter utilizado a internet nos últimos 12 meses em relação ao momento da entrevista.

O estudo revelou, entre outros, que:

  • 25% do setor privado usa soluções unicamente em papel, versus 69% no setor público;
  • Aproximadamente um terço (~35%) do setor privado alega usar somente o modelo eletrônico de prontuário do paciente;
  • 75% do setor privado usa algum tipo de prontuário eletrônico.

blog pic28.22

Apesar das estatísticas acima apontarem para uma saudável penetração de uso de algum tipo de sistema eletrônico para a gerência das informações dos pacientes, temos que ter cautela para não as considerarmos como verdades absolutas.

Basta falar com alguns médicos e profissionais do ramo para constatar a predominância da insatisfação com sistemas que não atendem às necessidades reais; e ausência de algo que realmente se insira na rotina desses profissionais.

Se olharmos um pouco mais o detalhe da pesquisa, concluímos que aínda existe muito a fazer na implementação digital do prontuário eletrônico.  Vejamos dois exemplos:

  • Apesar de 73% dados cadastrais estaram disponíveis eletronicamente, esse tipo de informação por si só agrega pouco valor ao médico (e até mesmo ao paciente);
  • Informações muito mais relevantes como alergias (31%), anotações da enfermagem (27%) e sinais vitais (25%) têm níveis de disponibilidade eletrônica bem mais baixos.

A conclusão é que aínda temos um longo caminho a trilhar antes de considerarmos que o nosso mercado está “digitalizado” na questão do prontuário eletrônico.  As estatísticas da referida pesquisa são somente isso – estatísticas – e o fato é que elas são interpretativas e não revelam a realidade do cotidiano da saúde no país.  Existe uma lacuna fundamental aínda a ser preenchida: a de agregar valor à rotina do médico de forma inteligente e concisa através da interpretação da multiplicidade dos dados coletados.  O modelo atual do prontuário eletrônico no Brasil simplesmente não faz isso.

Veja o post original (no LinkedIn) aqui.

E veja o post relacionado (e o infográfico original na sua totalidade) aqui.


Deixe um comentário

Hoje, iniciamos a produção de conteúdo original entitulada “Opinião UTIL”. Nosso primeiro artigo é de autoria do Dr. André Hovnanian, sócio-fundador da UTIL Healthcare.

Dois mil e quinze é o ano em que a teoria da relatividade geral de Albert Einstein completa 100 anos. Simplificadamente, a teoria posiciona o espaço-tempo como uma entidade dinâmica, moldada geometricamente pela matéria por ação da gravidade. Tal interação é que determina a existência dos tão divulgados buracos negros, cuja gigantesca massa não permite nem mesmo que a luz passe incólume.

Cem anos depois, num mundo em acelerada transformação, a humanidade vem tentando contornar um implacável fenômeno distorcivo causado pelo excesso de dados sobre outra espécie de geometria: a do “homem-tempo”, na qual indivíduos mutuamente desvinculados enfrentam um impiedoso efeito de compressão do tempo.

Dados escondem fenômenos naturais, humanos e sociais. Só existem porque possuímos a peculiar capacidade de observar e questionar. É o que nos leva a quantificar os fenômenos de forma ininterrupta. Ocorre que a massa de dados tornou-se tão complexa, variada e volumosa que sofremos um profundo desvio. E perdemos o controle: isolados e sem tempo, não estamos conseguindo transformar grande parte dos dados em conhecimento. O homem torna-se vítima de sua própria natureza.

Contudo, uma grande força, impressa no nosso DNA, pode ser a chave: ancestral à nossa própria espécie, a tecnologia cristaliza nossa capacidade de intervenção sobre o meio, de modo a afetar nossa própria existência. Ela é quem pode nos conduzir para fora desse imenso buraco negro. E, quem sabe, moldar uma nova geometria.

(Este é o primeiro de um conjunto de textos sobre tecnologia e suas interfaces. Espero por vocês nos próximos. Obrigado!)

Veja o post original no LinkedIn aqui.