A EVOLUÇÃO DO PRONTUÁRIO ELETRÔNICO

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O paradoxo tecnologia-empatia

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Opinião UTIL

Dr. André Hovnanian, MD, PhD, e Sócio na UTIL Healthcare


Separados por cem anos, Ferdinand Tönnies e Giacomo Rizzolatti protagonizam a compreensão sobre o homem social.

Tönnies é considerado um dos fundadores da moderna Sociologia. Em 1887, publica sua primeira e grande obra:Comunidade e Sociedade. Numa crítica contundente à cultura da modernidade, embasado em abrangente estudo sobre o homem social, o autor contrapõe os conceitos de comunidade aos de sociedade. Enquanto a comunidade, centrada na coletividade, é regida por vínculos primários de família e mútua troca, na sociedade, prevalece o relacionamento impessoal, instrumental e utilitarista, fruto direto da urbanização e do capitalismo.

Ao italiano Rizzolatti, credita-se uma das maiores descobertas da neurociência: os neurônios em espelho. Envolvidos com sofisticados comportamentos visuoespaciais, este conjunto de neurônios responde, sobretudo, por uma singular qualidade superior: a empatia. Empatia pode ser entendida como a capacidade de sentir emoções de outras pessoas e de imaginar o que alguém pode estar pensando ou sentindo. Ela é o ingrediente fundamental por trás de nossa evolução em grupo. 

Rizzolatti identificou a circuitaria de neurônios responsável por explicar parte importante de nosso comportamento social, oferecendo uma base biológica para o homem social. Tönnies, por sua vez, percebera, ao final do século XIX, que o homem moderno já sofria de uma, hoje, endêmica enfermidade: a deficiência de empatia.

Evidências científicas revelam a existência de uma base genética para a empatia (como no autismo), e mais, sugerem que esta preciosa característica possa ser modulada por mecanismos de neuroplasticidade. Uma das maneiras mais eficientes de aprimorá-la é a contação de histórias. Até mesmo a mais simples narrativa, desde que atraente e em conformidade com o chamado arco dramático, é capaz de provocar poderosas respostas empáticas, mediadas pela liberação de ocitocina no hipotálamo. O mesmo se observa com a arte e a literatura.

Mas o que a tecnologia tem a ver com tudo isso? À medida que a tecnologia faz do mundo um lugar menor e mais conectado, a empatia deveria ganhar cada vez mais importância. Lamentavelmente, não é o que se observa. Existe uma diferença marcante entre as curvas de crescimento da tecnologia e da empatia ao longo do tempo: seus sentidos são inversos. Acredita-se que um forte determinante da baixa na empatia seja o crescente fenômeno de mídia pessoal. Não se lêem nem se contam mais histórias como nos tempos de comunidade.

E o futuro? Se é verdade que o desenvolvimento total da inteligência artificial pode representar nossa maior ameaça (afirmação de mentes brilhantes como a de Stephen Hawking e a de Elon Musk), urge que a tecnologia aprenda, apreenda e transmita, de forma empática, bons exemplos.

O maior desafio de nossos tempos será, portanto, o de desfazer o paradoxo tecnologia-empatia. O caminho é o da construção de um arranjo equilibrado entre estes dois conceitos aparentemente antagônicos, de modo a recuperar o abandonado espírito de comunidade num momento de ampla complexidade tecnológica e social. Que tal começar contando mais histórias?

Veja o post original (no LinkedIn) aqui.

Autor: UTIL Healthcare

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